Atolados na neve…

Boa noite caros leitores,

Estou mais uma vez tentando prender a atenção de vocês com mais uma belíssima história, e essa a qual estou prestes a escrever vem de uma época que causou uma das maiores mudanças em minha pessoa, a minha primeira viagem para o exterior.

Foi nos Estados Unidos em que concluí meu ensino médio, uma experiência que mudou minha pessoa e toda a história ainda se encontra intacta em minha memória. Então vou apertar no “botão de passar pra frente” e simplemente pular alguns capítulos da minha história (até porque não posso contar todas de uma vez só) e chegar na parte em que realmente interessa.

Já se faziam 7 meses que eu morava em Minnesota, norte dos Estados Unidos que fazia fronteira com Canadá e como alguns de vocês sabem, no meio de janeiro no hemisfério norte e na região em que eu me encontrava neva bastante e faz bastante frio. Não foi fácil arrumar amigos no começo, até por que eu não tinha o mínimo de maturidade de lidar com o choque cultural, somente depois de 5 meses foi que fiz verdadeiras amizade com Kyle e logo depois com Dan que continuam sendo meus amigos até hoje. Kyle era um cara sem noção total das coisas e que somatizado com a minha irreverência talvez fosse como feijão com arroz, o que nos faltava apenas acrescentar Dan “A Farofa”, parece que eu despertei o capiroto dentro de Kyle que estava doido pra sair, eu comecei dando as idéias e quando me dei conta ele já tinha deixado tudo planejado antes mesmo de Eu se quer pensar em nada e foi justamente isso que aconteceu nessa belíssima noite fria.

Nós tinhamos apenas 17 anos e nos Estados Unidos é proíbido beber antes dos 21, eu comecei beber aos 15 e tudo que eu queria era poder curtir minha adolescência perigosamente onde tudo é proibido, e claro que não era só eu Kyle e Dan também. Queriamos de qualquer jeito organizar uma festa bacana onde pudéssemos escutar música alta, beber e farrear, então começamos a pensar nas hipóteses de possíveis lugares e acabamos sem nada, todos os pais eram bastante corretos e nunca deixariam nada ilegal acontecer dentro de suas residências, o jeito continuar pensando.

Certo dia estava Kyle ajudando seu pai (que era carteiro na época) a fazer a sua entrega diária e quando estavam em uma determina rua Kyle notou que seu pai tinha deixado de entregar a correspondência em uma determinada caixa postal e então perguntou:

- Pai, e aquela casa?

- Está abandonada meu filho, já se fazem dois anos que não ouço notícias de inquilinos que moram nela – responde pai de Kyle.

- Hum… – diz Kyle, quase que gemendo.

E o que passou na cabeça de Kyle não era difícil de descobrir, ele já tinha arquitetado o plano perfeito e aquele era o lugar da nossa festa, ali mesmo no carro não perdeu tempo e foi logo desenhando um mapa de como chegar na casa. Logo na mesma tarde ele me liga falando de como o lugar era perfeito pra nossa festa e me pergunta se eu estava afim de ver como era a casa, mas tinha que ser a noite pra não correr nenhum risco.

Então ele me pega em casa e dirige até a casa do Dan, enquanto isso no caminho nós tentamos planejar a festa decidindo quem convidar e quem iria comprar a bebida, chegando no Dan depois de três buzinadas ele aparece meio ranzinza dizendo “está muito frio pra sair e fazer essas merdas” e Kyle disse “cala a boca e vamo logo” e então Dan entrou no carro e seguimos viagem. Depois de mais ou menos trinta minutos procurando o tal lugar foi  quando de repente Kyle reconhece os arredores e diz que estamos nos aproximando e somente depois de mais alguns quarterões e outros minutos extras ele finalmente diz “é aqui!”.

Foi quando eu me deparei com aquela imensa estrada coberta de neve e bem no final havia a sombra de uma casa encondida entre galhos de árvores sem nenhum sinal de vizinhos por perto, nós nos olhamos com aquele ar de dúvida e receio repensando a idéia de ir até aquela casa desconhecida mas quem está no inferno abraça o diabo. Kyle começou a dirigir vagarosamente sob o que parecia ser uma estrada coberta de neve, ela aparentava ser segura o bastante para cruzá-la e chegar ao nosso destino mas como um passo de mágica o carro simplesmente pára e afunda quase um metro.

Todos estávamos estáticos, tanto nós quanto o carro, não havia nada a fazer a não ser sair e ver qual era a gravidade da situação e era ruim. Estávamos no meio do nada com neve passando dos joelhos invadindo propriedade privada e surge “a pergunta”, a quem iria nos tirar dalí, policia? Pais? ou nós mesmos? E é claro que a última opção foi a escolhida sem pensar duas vezes, começamos então a cavar e empurrar sem sucesso na tentativa de fazer o carro se mover. Foram três horas que pude me arrepender pelo resto da vida, dava pra escutar os gritos da mãe de Kyle pelo celular a dez metros de distância dele e enquanto a ajuda não chegava aproveitamos pra checar os perímetros das redondezas cujo eu me arrependi novamente, parecia que Eu estava em um set de filme de terror e a qualquer hora alguma criatura medonha poderia pegar meu pé e me puxar para as entranhas do chão gelado.

Finalmente a ajuda havia chegado, a mãe do Kyle estava furiosa a ponto de pular na jugular de alguem e fazer picadinho dela. Fomos então puxados pra fora daquele inferno gelado e voltamos pra casa frustados de termos tido uma idéia tão ridícula, meu terceiro arrependimento naquela noite foi não ter registrado nada naquele momento marcante, em casa tiramos essa foto interpretando o episódio.

Muito obrigado e até amanhã…DSC00283

~ por fantasticashistorias em junho 29, 2009.

Uma resposta to “Atolados na neve…”

  1. Sim, porra… Rolou a festa não?

    Fantásticas Histórias: O que tu acha???

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